O que não falamos na psicoterapia?
- 13 de mar.
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Na psicoterapia nem sempre falamos apenas sobre aquilo que é fácil. Existem temas que parecem quase impossíveis de colocar em palavras. Às vezes é possível sentir no corpo a tensão que surge quando um assunto se aproxima: um silêncio mais longo, uma mudança de tema, um riso que desvia, um “depois eu falo disso”. É como se algo dentro de nós pedisse para que aquilo não fosse dito.
E isso é compreensível. Há experiências que carregam vergonha, medo, culpa ou dor. Falar sobre elas pode dar a sensação de que estamos abrindo uma porta que mantivemos fechada por muito tempo. Por isso, muitas vezes tentamos contornar esses temas, falar de coisas mais seguras ou permanecer na superfície das histórias.
Mas a psicoterapia também é, muitas vezes, o espaço onde nos aproximamos justamente daquilo que temos dificuldade de nomear. Não porque sejamos obrigados a falar de tudo de uma vez, mas porque ali existe tempo, escuta e cuidado para que certas coisas possam, aos poucos, ganhar forma.
Nem sempre falamos na terapia sobre aquilo que queremos ou gostamos de abordar. Frequentemente falamos sobre aquilo que precisamos elaborar, mesmo que pareça desconfortável no início. E esse movimento exige coragem. Cada vez que alguém se aproxima de um tema difícil, mesmo que de maneira hesitante, algo importante já está acontecendo.
Por isso, se em algum momento você percebe que evita certos assuntos na terapia, saiba que isso também faz parte do processo. O caminho pode ser construído junto com a pessoa terapeuta, buscando formas menos árduas de se aproximar do que parece tão aversivo.
Insistir em permanecer nesse processo já é um gesto de cuidado consigo. Aos poucos, aquilo que parecia impossível de dizer pode encontrar palavras, e quando encontra, muitas vezes também começa a perder parte do peso que carregava.


















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