

Cuidado com a saúde mental
Vivemos em uma cultura que reconhece com facilidade a importância de cuidar de uma perna quebrada, mas ainda encontra resistência quando o assunto é saúde mental. Dores físicas são visíveis, legitimadas e acolhidas; já o sofrimento psíquico, muitas vezes, é minimizado, tratado como “falta do que fazer” ou reduzido a expressões como “é só lavar uma louça que passa”. Essa lógica não apenas desqualifica a experiência de quem sofre, como também dificulta o acesso ao cuidado neces


A psicoterapia te torna egoísta?
Muitas pessoas temem que, ao começar um processo de psicoterapia, possam se tornar mais egoístas. Afinal, a terapia convida a olhar para si, para a própria história, para as próprias necessidades e limites. Em uma cultura que muitas vezes valoriza o sacrifício constante e a disposição de agradar a todos, esse movimento de voltar-se para si pode gerar culpa ou estranhamento. Mas a psicoterapia não ensina alguém a se tornar egoísta. Ela ensina a compreender melhor a própria his


Estar sempre bem
Muitas vezes existe a ideia equivocada de que ter saúde mental significa estar bem o tempo todo, sempre feliz, tranquilo e sem conflitos. No entanto, a vida humana é marcada por oscilações, desafios e momentos de dor. Sentir tristeza, frustração, medo ou insegurança faz parte da experiência de viver e não significa, por si só, ausência de saúde mental. Ter uma mente saudável está muito mais relacionado à capacidade de lidar com essas variações da vida. Saúde mental envolve de


É um problema gostar de se relacionar?
Sentir-se feliz em uma relação não é um problema. O problema surge quando acreditamos que só conseguimos nos sentir bem quando estamos em uma. Existe uma diferença importante entre gostar de compartilhar a vida com alguém e depender exclusivamente disso para se sentir inteiro. Cada pessoa tem um jeito próprio de viver os vínculos. Há quem se sinta mais confortável em rotinas tranquilas, em momentos de solitude e silêncio. Outros preferem a convivência, o encontro, a troca con


Pequenas futilidades
Permitir-se pequenas futilidades pode ser um gesto importante de preservação da saúde mental e da própria dignidade. Em um mundo que exige produtividade constante, abrir espaço para algo aparentemente inútil (ver uma série sem culpa, comprar algo apenas porque achou bonito, passar tempo conversando sem objetivo, caminhar sem pressa) pode funcionar como um respiro necessário. Esses momentos não são desperdício: são pausas que nos devolvem a sensação de humanidade em meio às ex


Como lidar com amores do passado?
Amores do passado têm uma forma curiosa de continuar nos tocando. Mesmo quando a vida seguiu outros caminhos, basta uma lembrança, uma música ou um pensamento distraído para que algo dentro de nós se mova. Quem nunca se sentiu assim? E, muitas vezes, evitamos até revisitar essas memórias com medo de despertar sentimentos que levamos tempo para acalmar. Quando isso acontece, é comum surgir a dúvida: será que ainda gosto dessa pessoa? Mas nem sempre é disso que se trata. Gostar


O que não falamos na psicoterapia?
Na psicoterapia nem sempre falamos apenas sobre aquilo que é fácil. Existem temas que parecem quase impossíveis de colocar em palavras. Às vezes é possível sentir no corpo a tensão que surge quando um assunto se aproxima: um silêncio mais longo, uma mudança de tema, um riso que desvia, um “depois eu falo disso”. É como se algo dentro de nós pedisse para que aquilo não fosse dito. E isso é compreensível. Há experiências que carregam vergonha, medo, culpa ou dor. Falar sobre el


Como manifestar cuidado na relação?
Cuidar dentro de uma relação é um gesto bonito, mas precisa ser também um movimento equilibrado. Diferenças entre duas pessoas são naturais. Cada um carrega sua história, suas necessidades e sua própria forma de sentir e oferecer cuidado. Justamente por isso, relações saudáveis não se constroem a partir da expectativa de que um ocupe sempre o lugar de quem cuida enquanto o outro permanece no lugar de quem precisa ser cuidado. Quando essa dinâmica se fixa, a relação deixa de s


O possível diante do conflito
Diante dos conflitos nas relações, especialmente quando o outro não age como julgamos ser o melhor, somos convidados a olhar para dentro e reconhecer os limites entre o que é desejo e o que é possível. Nessas horas, mais do que insistir em convencer, é preciso elaborar os motivos para apostar estar junto. O primeiro passo é compreender o que é ou não é estrutural para estar numa relação . Existem princípios que nos orientam e que, quando violados, tornam insustentável o laço.


A liberdade de ser solteiro(a)
Existe uma narrativa muito popular de que ser solteiro(a) é sinônimo de liberdade absoluta, poder fazer tudo sem negociar com ninguém, decidir sem prestar contas e viver sem amarras. Essa ideia vende a solteirice como uma vantagem natural em relação ao relacionamento, como se estar com alguém implicasse, inevitavelmente, perda de autonomia. Mas essa comparação é simplista e, muitas vezes, equivocada. A “perda de liberdade” ou o "impedimento de curtir a vida" só se torna um pr








