top of page

Pessoas suic1dadas

  • 20 de fev.
  • 1 min de leitura

Há mort3s que não começam no ato final, mas muito antes, no modo como a sociedade organiza exclusões, silenciamentos e violências. Quando se diz que certas pessoas são “suic1dadas”, aponta-se para um processo social que empurra sujeitos ao esgotamento psíquico e existencial. Não se trata de retirar a agência individual, mas de reconhecer que escolhas acontecem dentro de estruturas que podem sufocar a possibilidade de viver com dignidade.

O racismo é um exemplo contundente. A experiência contínua de humilhação, suspeição, precarização e negação de humanidade produz um desgaste profundo. Não é apenas um episódio isolado de violência, mas a repetição cotidiana de mensagens que dizem quem pode existir com segurança e quem é tratado como descartável. Esse acúmulo corrói a autoestima, o senso de pertencimento e a expectativa de futuro.

Algo semelhante ocorre com a LGBTfobia. Crescer ouvindo que seu afeto é errado, que seu corpo é um problema ou que sua existência é motivo de vergonha produz um conflito interno devastador. A rejeição familiar, o bullying, a exclusão religiosa e a violência simbólica ou física constroem um ambiente onde a pessoa aprende a se vigiar, se esconder e, muitas vezes, a se odiar. O sofrimento deixa de ser pontual e passa a estruturar a relação consigo.

Falar em pessoas “suic1dadas” é denunciar que determinadas mort3s são socialmente produzidas. É reconhecer que saúde mental não é apenas uma questão individual, mas política. Combater violências e injustiças sociais não é só promover inclusão: é criar condições reais para que vidas historicamente atacadas possam existir sem que a sobrevivência seja, por si só, uma batalha diária.



 
 
 

Comentários


Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Email_edited
  • Grey Facebook Icon
  • Grey LinkedIn Icon
CONTATO

Walter Miez

PSICÓLOGO CLÍNICO,
ANALISTA SOCIAL
& CONSULTOR
Telefone:

+55 (31) 99384-4130

E-mail:

waltermiez@gmail.com 

Sua mensagem foi enviada com sucesso!

bottom of page