

A liberdade de ser solteiro(a)
Existe uma narrativa muito popular de que ser solteiro(a) é sinônimo de liberdade absoluta, poder fazer tudo sem negociar com ninguém, decidir sem prestar contas e viver sem amarras. Essa ideia vende a solteirice como uma vantagem natural em relação ao relacionamento, como se estar com alguém implicasse, inevitavelmente, perda de autonomia. Mas essa comparação é simplista e, muitas vezes, equivocada. A “perda de liberdade” ou o "impedimento de curtir a vida" só se torna um pr


A vida que se quer viver
Migrar da ideia de uma “vida que se almeja” para a construção de uma "vida boa de se viver" é uma profunda mudança de perspectiva. A vida almejada costuma estar sempre no horizonte: é o cargo que ainda não chegou, o corpo que ainda não foi alcançado, o relacionamento idealizado, a estabilidade perfeita. Trata-se de uma lógica de busca permanente, em que o presente vira apenas um meio para um futuro prometido. Vive-se em suspensão. Esse modo de existir pode nos manter em movim


A importância de socializar
A necessidade de socializar é uma dimensão fundamental da experiência humana. Não se trata apenas de estar entre pessoas, mas de sentir-se pertencente, reconhecido e afetivamente implicado em relações que façam sentido. O pertencimento sustenta a nossa identidade, regula nossas emoções e fortalece nossa saúde mental. Somos constituídos no encontro: é na troca que nos percebemos, nos diferenciamos e nos transformamos. Entretanto, ter interações sociais não é, necessariamente,


Insegurança financeira
A vulnerabilidade econômica não é apenas um dado material, ela é uma condição para adoecimento. A saúde mental é profundamente impactada pelo contexto socioeconômico, porque viver sob escassez contínua significa habitar um estado permanente de alerta. Pessoas com histórico de pobreza têm mais chances de desenvolver ansiedade e depressão não por fragilidade individual, mas porque foram expostas, por longos períodos, à insegurança, à imprevisibilidade e à falta de controle sobr


O dia não tem as mesmas 24 horas para todo mundo
Dizem que o dia tem 24 horas para todo mundo. No relógio, sim. Na vida real, não. As horas não rendem do mesmo jeito porque são atravessadas por desigualdades sociais que determinam como e que tempo e liberdade temos. Há quem acorde e encontre o café pronto; há quem acorde antes do sol para preparar o café de todos. As horas dedicadas às tarefas domésticas (historicamente invisibilizadas e desigualmente distribuídas, sobretudo entre mulheres e pessoas pobres) consomem tempo q


Quais cuidados ter com a ansiedade?
Depois que me reconheci como uma pessoa ansiosa, passei a compreender melhor os sinais do meu corpo e da minha mente. Hoje consigo identificar quando os pensamentos estão acelerados, quando a agitação aumenta, quando surge o aperto no peito ou quando o sono deixa de ser reparador. Esse reconhecimento não elimina o sofrimento, mas me oferece ferramentas para lidar com ele de forma mais consciente. Cuidar da ansiedade começa por conhecer o próprio quadro de adoecimento: entende


O luxo de pensar sobre si
A pobreza, no capitalismo, produz uma experiência contínua de urgência: pagar contas, garantir comida, manter o mínimo de estabilidade. Essa pressão cotidiana não é apenas econômica, ela reorganiza o tempo psíquico. Quando sobreviver é prioridade absoluta, a elaboração sobre afetos, vínculos e críticas à cultura tende a ser suspensa. Não porque essas dimensões deixem de existir, mas porque o sistema captura a energia disponível e a direciona para a manutenção imediata da vida


Como lidamos com o prazer?
Quando nos propomos a pensar s3xualidade, não estamos pensando propriamente em interação s3xual ou com os órgãos genitais. Quando dizemos de s3xualidade na Psicologia, em geral, estamos falando sobre o nosso processo de lidar com a satisfação, o prazer em todos os sentidos e fazer negociações entre ele e as expectativas que se tem sobre nós. Todos nós temos s3xualidade, inclusive as crianças. Nós tentamos protegê-las de quaisquer temáticas que possam associar os dois conteúdo


Pessoas suic1dadas
Há mort3s que não começam no ato final, mas muito antes, no modo como a sociedade organiza exclusões, silenciamentos e violências. Quando se diz que certas pessoas são “suic1dadas”, aponta-se para um processo social que empurra sujeitos ao esgotamento psíquico e existencial. Não se trata de retirar a agência individual, mas de reconhecer que escolhas acontecem dentro de estruturas que podem sufocar a possibilidade de viver com dignidade. O racismo é um exemplo contundente. A


Identidades em trânsito
As identidades muitas vezes funcionam como caixinhas: ajudam a organizar quem somos, dão nome a sentimentos e experiências, oferecem pertencimento e linguagem para nos reconhecermos no mundo. Elas podem ser importantes pontos de apoio. O problema começa quando essas caixinhas ficam apertadas demais e passam a nos limitar. Reconhecer-se em uma identidade deveria ser algo que acolhe, fortalece e amplia a percepção de si, nunca algo que diminui, restringe ou aprisiona. Um exempl

















