

A importância de socializar
A necessidade de socializar é uma dimensão fundamental da experiência humana. Não se trata apenas de estar entre pessoas, mas de sentir-se pertencente, reconhecido e afetivamente implicado em relações que façam sentido. O pertencimento sustenta a nossa identidade, regula nossas emoções e fortalece nossa saúde mental. Somos constituídos no encontro: é na troca que nos percebemos, nos diferenciamos e nos transformamos. Entretanto, ter interações sociais não é, necessariamente,


Insegurança financeira
A vulnerabilidade econômica não é apenas um dado material, ela é uma condição para adoecimento. A saúde mental é profundamente impactada pelo contexto socioeconômico, porque viver sob escassez contínua significa habitar um estado permanente de alerta. Pessoas com histórico de pobreza têm mais chances de desenvolver ansiedade e depressão não por fragilidade individual, mas porque foram expostas, por longos períodos, à insegurança, à imprevisibilidade e à falta de controle sobr


O dia não tem as mesmas 24 horas para todo mundo
Dizem que o dia tem 24 horas para todo mundo. No relógio, sim. Na vida real, não. As horas não rendem do mesmo jeito porque são atravessadas por desigualdades sociais que determinam como e que tempo e liberdade temos. Há quem acorde e encontre o café pronto; há quem acorde antes do sol para preparar o café de todos. As horas dedicadas às tarefas domésticas (historicamente invisibilizadas e desigualmente distribuídas, sobretudo entre mulheres e pessoas pobres) consomem tempo q


Quais cuidados ter com a ansiedade?
Depois que me reconheci como uma pessoa ansiosa, passei a compreender melhor os sinais do meu corpo e da minha mente. Hoje consigo identificar quando os pensamentos estão acelerados, quando a agitação aumenta, quando surge o aperto no peito ou quando o sono deixa de ser reparador. Esse reconhecimento não elimina o sofrimento, mas me oferece ferramentas para lidar com ele de forma mais consciente. Cuidar da ansiedade começa por conhecer o próprio quadro de adoecimento: entende


O luxo de pensar sobre si
A pobreza, no capitalismo, produz uma experiência contínua de urgência: pagar contas, garantir comida, manter o mínimo de estabilidade. Essa pressão cotidiana não é apenas econômica, ela reorganiza o tempo psíquico. Quando sobreviver é prioridade absoluta, a elaboração sobre afetos, vínculos e críticas à cultura tende a ser suspensa. Não porque essas dimensões deixem de existir, mas porque o sistema captura a energia disponível e a direciona para a manutenção imediata da vida


Como lidamos com o prazer?
Quando nos propomos a pensar s3xualidade, não estamos pensando propriamente em interação s3xual ou com os órgãos genitais. Quando dizemos de s3xualidade na Psicologia, em geral, estamos falando sobre o nosso processo de lidar com a satisfação, o prazer em todos os sentidos e fazer negociações entre ele e as expectativas que se tem sobre nós. Todos nós temos s3xualidade, inclusive as crianças. Nós tentamos protegê-las de quaisquer temáticas que possam associar os dois conteúdo


Pessoas suic1dadas
Há mort3s que não começam no ato final, mas muito antes, no modo como a sociedade organiza exclusões, silenciamentos e violências. Quando se diz que certas pessoas são “suic1dadas”, aponta-se para um processo social que empurra sujeitos ao esgotamento psíquico e existencial. Não se trata de retirar a agência individual, mas de reconhecer que escolhas acontecem dentro de estruturas que podem sufocar a possibilidade de viver com dignidade. O racismo é um exemplo contundente. A


Identidades em trânsito
As identidades muitas vezes funcionam como caixinhas: ajudam a organizar quem somos, dão nome a sentimentos e experiências, oferecem pertencimento e linguagem para nos reconhecermos no mundo. Elas podem ser importantes pontos de apoio. O problema começa quando essas caixinhas ficam apertadas demais e passam a nos limitar. Reconhecer-se em uma identidade deveria ser algo que acolhe, fortalece e amplia a percepção de si, nunca algo que diminui, restringe ou aprisiona. Um exempl


Podemos fazer exigências no amor?
No amor, nem toda exigência nasce do mesmo lugar. Há uma diferença importante entre querer que a relação aconteça exclusivamente no nosso molde e construir um vínculo em que ambas as partes tenham espaço para colocar seus próprios termos. Quando não há abertura para a escuta do outro, o que chamamos de exigência pode se transformar facilmente em controle ou imposição. Por outro lado, abrir espaço para o outro não significa abrir mão de si. Todos nós aprendemos a reconhecer o


O que é amar de porta aberta?
Amar de porta aberta é uma escolha consciente de liberdade, presença e verdade na relação. Quando convidamos alguém a entrar em nossa casa e trancamos a porta, criamos uma relação sustentada mais pelo medo da perda do que pelo desejo de permanência. Nesse cenário, nunca sabemos ao certo se o outro permanece porque quer ou apenas porque não encontra saída. O vínculo, então, passa a ser marcado pela insegurança, pelo controle e pela tentativa de garantir o afeto à força. Relaci



















