top of page

Abismo

  • 28 de jan.
  • 1 min de leitura


Olhar para o fundo do poço é um exercício necessário, mas que exige cuidado. Encarar nossas sombras, revisitar dúvidas profundas e perguntar sobre o sentido da vida são movimentos que ampliam nossa consciência e nos permitem compreender melhor nossas escolhas no mundo. Esse mergulho interno revela padrões, ilumina fragilidades e nos aproxima de uma versão mais honesta de quem somos. No entanto, como toda travessia delicada, ele requer amarras seguras.

Pensar demais, quando não há algo que nos sustente, pode se transformar em queda. A reflexão existe não para nos aprisionar no labirinto da mente, mas para abrir caminhos. Quando nos deixamos escorregar em espirais existencialistas sem referências que nos ancorem, corremos o risco de perder direção, relativizar tudo e enfraquecer até aquilo que nos manteve firmes até ali. A lucidez vira vertigem.

Por isso, a exploração das sombras precisa acontecer enquanto estamos ligados a elementos que nos aterraram: vínculos afetivos, valores que reconhecemos como nossos, identidades que nos estruturam, práticas cotidianas que garantem alguma estabilidade. Esses pontos de apoio funcionam como cordas que impedem a queda livre, oferecendo sustentação para que o olhar para o abismo seja um gesto de conhecimento e não de desorientação.

Refletir é fundamental, mas sem esquecer o chão. O fundo do abismo nos ensina muito, desde que não nos convidemos a morar lá.


 
 
 

Comentários


Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Email_edited
  • Grey Facebook Icon
  • Grey LinkedIn Icon
CONTATO

Walter Miez

PSICÓLOGO CLÍNICO,
ANALISTA SOCIAL
& CONSULTOR
Telefone:

+55 (31) 99384-4130

E-mail:

waltermiez@gmail.com 

Sua mensagem foi enviada com sucesso!

bottom of page