Quais os efeitos de reter a mágoa?
- 19 de jan.
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Reter a mágoa, muitas vezes, é um mecanismo de proteção. O nosso cérebro pode entender que reviver mentalmente uma situação dolorosa é uma forma estratégica de garantir que não passemos novamente por algo semelhante. Como se houvesse uma desconfiança na nossa capacidade de aprender com a experiência vivida, a mente insiste em revisitar a ferida, remoendo detalhes, na tentativa de evitar novos sofrimentos ou de nos lembrar o quanto de energia emocional foi necessário para cicatrizar aquilo que nos machucou.
Nesse movimento, a mágoa passa a funcionar como um alerta constante. Ao relembrar repetidamente o que aconteceu, o cérebro acredita estar criando uma barreira de proteção, mantendo viva a memória da dor para impedir que ela se repita. No entanto, esse processo cobra um preço alto. Remoer a mágoa não impede que novas situações semelhantes aconteçam e, ao contrário do que parece, não nos torna mais preparados. Apenas consome energia, ocupa o pensamento e nos mantém presos ao passado.
A verdadeira proteção não está na repetição do sofrimento, mas na compreensão dele. O mal que o outro nos causou fala sobre escolhas feitas do lado de lá, sobre limites que não foram respeitados ou responsabilidades que não foram assumidas. Já a dor sentida do lado de cá precisa ser cuidada, acolhida e elaborada, para que não se transforme em um peso permanente.
Quando reconhecemos e tratamos a ferida emocional, fortalecemos a confiança em nós mesmos. Passamos a entender que somos capazes de identificar sinais de situações semelhantes no futuro e de agir com mais clareza quando elas surgirem. E, mesmo quando não for possível evitar a dor, saberemos que temos recursos internos para atravessá-la.
Soltar a mágoa não é esquecer o que aconteceu, mas confiar na própria capacidade de aprender, se proteger e seguir em frente com mais consciência, força e resiliência.


















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