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Rigidez cognitiva

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Ter disciplina, organização e previsibilidade são qualidades importantes. Elas favorecem o planejamento, a confiança e a eficiência. No entanto, existe uma diferença fundamental entre essas características e a rigidez cognitiva.

A rigidez cognitiva é a dificuldade de considerar alternativas diante de uma situação. A pessoa passa a acreditar que existe um único modo correto de fazer as coisas e que qualquer caminho diferente é necessariamente pior. Essa percepção costuma ignorar um fato importante: nossas interpretações são influenciadas por vieses, experiências e expectativas, e nem sempre correspondem à realidade.

Como consequência, surgem ruminação, frustração e irritabilidade. Gastamos energia tentando controlar variáveis que não dependem de nós e nos incomodamos excessivamente quando as pessoas agem de maneira diferente da que julgamos adequada.

Essa forma de pensar também favorece a centralização de tarefas e decisões. A dificuldade em delegar decorre da crença de que somente nós conseguiremos executar algo "do jeito certo". Além de sobrecarregar quem centraliza, isso limita o desenvolvimento das pessoas ao redor e pode prejudicar relações pessoais e profissionais.

Outro aspecto marcante é a resistência em mudar de opinião, mesmo quando surgem novas informações. Em vez de revisar crenças, a rigidez leva à tentativa de defender continuamente a própria perspectiva.

A boa notícia é que a flexibilidade cognitiva pode ser desenvolvida. Um caminho é se expor, de forma gradual, a maneiras diferentes de realizar atividades habituais, permitindo-se experimentar novos métodos sem buscar a perfeição. Também é útil deixar que outras pessoas resolvam situações cotidianas sem a necessidade de supervisão constante, reconhecendo que existem diversas formas eficazes de alcançar um bom resultado.

Por fim, vale revisar os pensamentos marcados por exigências como "isso deveria ser assim" ou "as pessoas deveriam agir dessa forma". Sempre que possível, substitua-os por uma formulação mais realista: "Eu gostaria que fosse assim, mas isso está fora do meu controle." Essa pequena mudança reduz o sofrimento, aumenta a tolerância às diferenças e fortalece uma relação mais saudável com a realidade.

 
 
 

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Walter Miez

PSICÓLOGO CLÍNICO,
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