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Como dá pra ser

  • 27 de jun.
  • 2 min de leitura

Existe uma armadilha muito comum quando assumimos um compromisso conosco: acreditar que só vale a pena fazer algo se for possível fazê-lo da melhor maneira. Queremos nos alimentar perfeitamente, estudar com concentração total, realizar um treino completo e impecável. Quando percebemos que não estamos com disposição, tempo ou energia suficientes para atingir esse padrão idealizado, muitas vezes desistimos antes mesmo de começar.

Mas a disciplina não consiste em agir apenas quando estamos motivados ou quando as condições são perfeitas. A disciplina consiste em compreender que nem todos os dias serão iguais. Haverá dias de entusiasmo e produtividade, mas também haverá dias de cansaço, desânimo e limitações. E é justamente nesses momentos que ela se torna mais importante.

Frequentemente nos escondemos atrás da ideia de que não vale a pena fazer algo pela metade. Pensamos que, se não conseguirmos estudar durante duas horas, então não estudaremos nada. Se não conseguirmos fazer um treino completo, então permaneceremos no sofá. Se não for possível seguir exatamente o plano alimentar, então abandonaremos qualquer cuidado com a alimentação naquele dia.

Entretanto, muitas vezes a melhor forma é simplesmente a forma que dá para ser. Dez minutos de estudo ainda são estudo. Uma caminhada curta ainda é atividade física. Uma escolha alimentar mais consciente ainda é um passo na direção que desejamos seguir.

A busca pelo ideal pode se transformar em uma justificativa sofisticada para a inércia. Quando esperamos o momento perfeito, frequentemente deixamos de realizar aquilo que está ao nosso alcance agora. E são justamente essas pequenas ações, repetidas ao longo do tempo, que constroem mudanças significativas.

Fazer algo de maneira razoável não deveria ser entendido como fracasso. Pelo contrário, é uma demonstração de compromisso com os próprios objetivos. A constância raramente nasce da perfeição; ela nasce da capacidade de continuar, mesmo quando só conseguimos oferecer uma versão mais simples daquilo que havíamos planejado.

Nem sempre conseguiremos fazer o melhor. Mas quase sempre podemos fazer alguma coisa. E, muitas vezes, essa é exatamente a melhor forma possível para aquele momento.


 
 
 

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Walter Miez

PSICÓLOGO CLÍNICO,
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