Aquilo que nos cabe
- 3 de jul.
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Temos direito aos nossos incômodos. Sentir desconforto, frustração ou irritação diante de certas situações faz parte da experiência humana. O problema começa quando misturamos aquilo que é nossa responsabilidade com aquilo que pertence ao outro, transformando um sentimento legítimo em um peso desproporcional capaz de retirar nossa paz.
É como a mistura das cores. Azul e vermelho formam o roxo. Mas, muitas vezes, enxergamos apenas o resultado final (o roxo) sem perceber quais partes daquela situação realmente nos pertencem.
Imagine alguém que valoriza uma casa organizada. Existe um aspecto vermelho nessa situação: o direito de cuidar do próprio espaço, de manter a limpeza, de organizar aquilo que considera importante para seu bem-estar. Isso diz respeito à própria responsabilidade, às próprias escolhas e à forma como se deseja viver.
Mas existe também o azul: a frustração porque outras pessoas não valorizam aquilo da mesma maneira. A expectativa de que todos deveriam agir, pensar ou sentir igual. E isso já não está sob nosso controle. Não nos pertence completamente.
Quando vermelho e azul se misturam, nasce o roxo: ressentimento, desgaste emocional, discussões excessivas, sensação de injustiça constante. O problema deixa de ser apenas “eu quero minha casa organizada” e passa a ser “eu preciso que todos sejam como eu gostaria”.
Nem tudo que nos incomoda precisa virar um conflito interno permanente. Há situações em que o mais saudável é reconhecer o que é nosso e agir sobre isso, sem transformar o comportamento do outro em um aspecto do nosso controle.
Maturidade é entender que podemos sustentar nossos valores, limites e responsabilidades sem carregar a obrigação de controlar consciências, desejos ou prioridades alheias. Muitas vezes, o que realmente nos adoece não é o vermelho daquilo que nos cabe, mas o roxo criado pela mistura de expectativas fora das nossas mãos.




















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