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Medo da mort3

  • 29 de mai.
  • 2 min de leitura

O medo de morrer raramente se apresenta de forma direta. Ele não costuma surgir como um pensamento claro sobre o fim da vida, mas se infiltra em experiências cotidianas, disfarçado em outras apreensões que parecem mais concretas e imediatas. Muitas vezes, o que chamamos de medo da morte é, na verdade, o medo de processos que nos colocam diante da fragilidade da existência.


O medo de adoecer, por exemplo, não é apenas sobre a doença em si, mas sobre a perda de autonomia que ela pode trazer. É o receio de depender de outros, de ver o próprio corpo falhar, de não reconhecer mais a própria rotina. Da mesma forma, o medo da vulnerabilidade expõe algo mais profundo: o desconforto de não estar no controle, de precisar de cuidado quando fomos ensinados a oferecer, mas não necessariamente a receber.


Há também o medo de estar sozinho nesse processo. Cuidar de si sem rede de apoio, enfrentar dificuldades físicas ou emocionais sem amparo, pode parecer uma antecipação simbólica do abandono definitivo. Nesse sentido, o medo da morte se mistura com o medo da solidão.


Outro aspecto importante é o medo da interrupção. Projetos inacabados, sonhos adiados, relações que poderiam ter sido mais vividas, tudo isso pesa mais do que a ideia abstrata da morte. Não é apenas sobre deixar de existir, mas sobre não conseguir concluir aquilo que dá sentido à existência.


A vulnerabilidade financeira também entra nesse campo. O receio de não ter recursos para se manter, de perder estabilidade, de não conseguir garantir o próprio sustento ou cuidado, revela o quanto a sobrevivência material está ligada à sensação de segurança diante da vida e, por consequência, da morte.


No fundo, o medo de morrer é menos sobre o instante final e mais sobre tudo aquilo que pode nos aproximar dele aos poucos. É o medo de perder o controle, a autonomia, os vínculos, os projetos e a dignidade. Nomear esses medos talvez não os elimine, mas permite compreendê-los com mais clareza e, quem sabe, viver com mais presença aquilo que ainda está em curso.



 
 
 

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Walter Miez

PSICÓLOGO CLÍNICO,
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