

O luxo de pensar sobre si
A pobreza, no capitalismo, produz uma experiência contínua de urgência: pagar contas, garantir comida, manter o mínimo de estabilidade. Essa pressão cotidiana não é apenas econômica, ela reorganiza o tempo psíquico. Quando sobreviver é prioridade absoluta, a elaboração sobre afetos, vínculos e críticas à cultura tende a ser suspensa. Não porque essas dimensões deixem de existir, mas porque o sistema captura a energia disponível e a direciona para a manutenção imediata da vida


Como lidamos com o prazer?
Quando nos propomos a pensar s3xualidade, não estamos pensando propriamente em interação s3xual ou com os órgãos genitais. Quando dizemos de s3xualidade na Psicologia, em geral, estamos falando sobre o nosso processo de lidar com a satisfação, o prazer em todos os sentidos e fazer negociações entre ele e as expectativas que se tem sobre nós. Todos nós temos s3xualidade, inclusive as crianças. Nós tentamos protegê-las de quaisquer temáticas que possam associar os dois conteúdo


Pessoas suic1dadas
Há mort3s que não começam no ato final, mas muito antes, no modo como a sociedade organiza exclusões, silenciamentos e violências. Quando se diz que certas pessoas são “suic1dadas”, aponta-se para um processo social que empurra sujeitos ao esgotamento psíquico e existencial. Não se trata de retirar a agência individual, mas de reconhecer que escolhas acontecem dentro de estruturas que podem sufocar a possibilidade de viver com dignidade. O racismo é um exemplo contundente. A


O que é desistir?
Desistir nem sempre é sinônimo de fracasso ou de abandono de quem somos. Muitas vezes, desistir é um gesto de atualização, uma forma de reconhecer que já não somos os mesmos de antes e que, ao longo da caminhada, novas compreensões surgiram. Mudar de rota pode ser um ato de honestidade consigo mesmo, não uma negação da própria história. As escolhas que deixamos para trás não se apagam. Elas fazem parte do que foi vivido, aprendido e construído até o ponto de virada. Cada tent


Crescer e amadurecer
Crescer é inevitável. O modo de amadurecer, uma escolha diária. Ser adulto não significa endurecer a ponto de perder o brilho, nem carregar compromissos como quem veste uma armadura pesada demais. A vida adulta exige responsabilidade e capacidade de sustentar escolhas: pagar contas, assumir consequências, cuidar de si e dos outros. Mas nada disso pede o sacrifício da ludicidade, da curiosidade e do encantamento que habitam a criança que fomos. A história de Peter Pan costuma


O que é otimismo?
O medo do desconhecido, a insegurança sobre os resultados e o peso das responsabilidades tendem a nos paralisar. No entanto, assumir as próprias escolhas é um exercício de confiança: confiança em quem somos, no que aprendemos e naquilo que estamos construindo, mesmo sem garantias absolutas sobre o futuro. Não sabemos exatamente o que nos espera mais à frente. A vida não oferece roteiros prontos nem promessas de controle. Ainda assim, escolher permanecer apenas no conformismo


Gritar e comunicar
Não gritar é um princípio importante para quem busca diálogo, porque o grito raramente resolve conflitos, ele tende a ampliar tensões e bloquear o entendimento. Ao elevar a voz, muitas vezes deixamos de comunicar para tentar impor presença, substituindo argumentos, escuta e segurança emocional pelo volume. Nesse sentido, gritar funciona como um atalho: tenta vencer no impacto aquilo que não se sustenta na conversa. Ao mesmo tempo, é honesto reconhecer que o grito também cumpr


Como ter boa relação com a casa?
A casa é mais do que um espaço físico; ela é a extensão do nosso corpo, da nossa história e da forma como habitamos o mundo. Estar em casa é exercer o nível máximo de territorialização do espaço e de si mesmo. É ocupar um lugar onde podemos existir sem mediações excessivas, sem precisar performar ou nos ajustar às expectativas externas. Chamar um espaço de lar implica reconhecer que ali temos poder de escolha. Escolhemos a cor das cortinas, a disposição dos móveis, os objetos


Qual a importância do silêncio?
Na rotina intensa das grandes cidades, os sons que nos cercam raramente são neutros. Buzinas, conversas sobrepostas, motores, notificações e anúncios são, em grande parte, interpretados pelo cérebro como estímulos estressores e hiperativadores. Esse excesso sonoro mantém o corpo em estado de alerta constante e dificulta o descanso profundo, mesmo quando aparentemente estamos em pausa. O som é vibração: ondas que alcançam nossos tímpanos e exigem do cérebro um trabalho contínu


Desafios e propósito de vida
Encontrar um propósito de vida é, muitas vezes, encontrar um eixo que organiza a nossa existência. Não se trata de ter todas as respostas, mas de reconhecer um motivo que orienta escolhas, sustenta decisões e dá sentido aos caminhos que percorremos. Quando não temos esse alvo, é comum nos sentirmos dispersos, tentando dar conta de tudo ao mesmo tempo, como quem insiste em carregar água numa peneira: por mais esforço que façamos, quase nada permanece, e o cansaço se acumula. O



















