Bem viver
- há 4 dias
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Kaká Werá, no livro Tekoá, apresenta o Bem Viver como uma filosofia que busca a harmonia entre a pessoa, a comunidade, a natureza e a vida. Esse caminho, porém, costuma ser interrompido por quatro grandes males: guerra, doença, fome e opressão. Eles não são vistos apenas como acontecimentos externos, mas também como consequências de modos de existir que rompem o equilíbrio da vida.
Na mitologia tupinambá, três humanidades anteriores desapareceram pelo fogo, pela desolação da terra e pelos grandes dilúvios. Essas narrativas simbolizam um mesmo alerta: quando o ser humano se distancia da Mãe Terra e da natureza, produz sua própria destruição.
Essa sabedoria aparece também na famosa carta atribuída ao cacique Seattle, em 1854: “Tudo que fere a Terra fere os filhos da Terra. A Terra não pertence ao homem; o homem pertence à Terra.” A mensagem é simples e profunda: não existe separação entre nós e o mundo que habitamos.
Mas falar de território não é apenas falar da floresta, do rio ou da cidade. Existe também um território interno. O Bem Viver nos convida a realizar diariamente uma tarefa difícil: desocupar esse lugar de venenos emocionais, ressentimentos, violências, excessos e tudo aquilo que nos afasta do que faz sentido.
Exemplos disso aparecem no cotidiano: alimentar discussões sem fim é cultivar pequenas guerras dentro de casa; viver apenas no excesso de trabalho pode adoecer o corpo e empobrecer a vida;
guardar mágoas por anos ocupa um espaço interno que poderia ser habitado por novos afetos; consumir a natureza sem cuidado é esquecer que também dependemos dela para existir.
Bem Viver não significa viver sem conflitos ou dificuldades. Significa cultivar relações mais saudáveis consigo, com os outros e com a Terra. É compreender que cuidar do mundo também é cuidar de nós e de nossa comunidade.




















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