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Compromisso em ser feliz

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Enquanto seres humanos, somos uma composição complexa de genética, espécie humana, cultura e história familiar. Não somos determinados exclusivamente por nenhum desses elementos. Nossas características e predisposições encontram no ambiente, nos comportamentos e nas experiências condições para se expressarem de diferentes maneiras.


Isso significa que algumas predisposições genéticas, por exemplo, podem permanecer sem grande expressão até que determinadas condições comportamentais ou ambientais favoreçam seu aparecimento. Da mesma forma, determinados riscos podem ser reduzidos quando construímos condições que nos protegem.


Por isso, se queremos evitar determinados danos ou favorecer determinados ganhos, precisamos também desenvolver condutas compatíveis com aquilo que desejamos construir. Não basta desejar bem-estar enquanto mantemos uma rotina permanentemente organizada em torno da privação, do isolamento e da exaustão.


É nesse sentido que precisamos assumir um compromisso ativo com a felicidade. Não porque devemos transformar a felicidade em uma obrigação, uma meta de produtividade ou mais um item da nossa lista de desempenho. Mas porque experiências agradáveis têm a capacidade de ampliar nossas possibilidades de resposta, recuperar recursos emocionais e nos reposicionar diante dos riscos e dificuldades da vida.


Ser feliz também pode ser uma forma de cuidado.


Por isso, talvez seja importante criar alguns “protocolos” pessoais de felicidade: comer algo de que gostamos, passear por lugares agradáveis, ouvir uma música, encontrar pessoas com quem nos sentimos bem, descansar, conhecer lugares novos, rir, experimentar alguma coisa diferente ou simplesmente permitir que um dia seja bom sem precisar justificar sua utilidade.


Não precisamos esperar que a vida fique perfeita para então desfrutar dela. Podemos construir deliberadamente pequenas condições para que o prazer, o vínculo e o bem-estar tenham lugar na nossa rotina.


A felicidade não precisa ser produtiva para ser importante. A sua maior função é justamente nos lembrar de que a vida não existe apenas para que sobrevivamos a ela, mas para que possamos experimentá-la.

 
 
 

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Walter Miez

PSICÓLOGO CLÍNICO,
ANALISTA SOCIAL
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