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Estratégia e espontaneidade

  • 19 de ago.
  • 2 min de leitura

Ser estratégico pode ser uma habilidade importante: pensar antes de agir, avaliar consequências e escolher caminhos coerentes com aquilo que queremos. O problema começa quando precisamos transformar cada escolha em uma oportunidade de ganhar, lucrar ou evitar perdas. É como se, a todo momento, estivéssemos calculando o próximo passo, observando riscos e tentando garantir que nada seja desperdiçado. Aos poucos, a espontaneidade vai sendo sacrificada.

Isso também se relaciona com a forma como percebemos abundância e escassez. O pensamento de abundância nos permite confiar mais na experimentação da vida: podemos tentar, errar, mudar de direção e descobrir novos caminhos porque não precisamos ter todas as garantias antes de começar. Já o pensamento de escassez nos faz olhar constantemente para o futuro, imaginando adversidades, antecipando perdas e tentando estar sempre alguns passos à frente. Mantemo-nos permanentemente abastecidos na ilusão de que, se acumularmos recursos, estratégias e garantias suficientes, estaremos preparados para qualquer possibilidade de falta.

Nem tudo precisa justificar sua existência por meio de uma utilidade.

Uma coisa é gostar de comer mamão porque apreciamos seu sabor outra é comer mamão exclusivamente porque ele favorece o funcionamento intestinal. As duas experiências podem coexistir, mas existe uma diferença entre fazer algo porque queremos e fazer algo porque aquilo precisa cumprir uma função.

A vida também precisa de escolhas que não sejam estratégicas. Podemos caminhar sem transformar a caminhada em uma meta ou conversar sem pensar em networking. Podemos descansar sem considerar que estamos apenas recuperando energia para voltar a produzir.

Quando tudo precisa ter funcionalidade, até o prazer pode virar tarefa.

Ser estratégico é poder escolher conscientemente quando utilizar a estratégia. Viver estrategicamente o tempo todo pode significar estar tão preocupado em não perder que deixamos de experimentar aquilo que simplesmente está acontecendo.

Talvez maturidade também seja saber quando é hora de calcular e quando é hora de confiar e experimentar a vida.

 
 
 

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Walter Miez

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