top of page

Organizar os pensamentos para a psicoterapia

  • 25 de ago.
  • 1 min de leitura

É muito comum chegar à terapia com uma lista mental do que precisa ser dito. Algumas pessoas anotam acontecimentos da semana, organizam os fatos em ordem cronológica e até ensaiam a conversa. Isso até faz sentido na intenção de não esquecer o que quer que seja dito. O problema é quando esse roteiro deixa de ser um apoio e vira uma tentativa de controlar o encontro.

A psicoterapia não depende de uma narrativa perfeita. Ela também observa como a história é construída. As pausas, os desvios, as justificativas antes de um sentimento e até aquilo que parece “sem importância” podem revelar muito sobre a experiência de quem fala.

Por exemplo, alguém chega decidido a falar sobre um conflito no trabalho, passa quarenta minutos relatando os fatos e, nos últimos cinco minutos, diz: “Na verdade, tem uma coisa que eu não queria comentar...”. Outra pessoa organiza toda a semana em tópicos, mas se emociona ao lembrar de uma cena aparentemente banal no caminho para a sessão. Muitas vezes, é justamente quando desviamos do roteiro que algo importante encontra espaço para aparecer.

Isso não significa abandonar anotações ou chegar sem nenhuma referência. A diferença é não acreditar que tudo precisa estar pronto antes da conversa começar.

Para quem passou a vida aprendendo a controlar cada palavra, permitir o inesperado também é um exercício de liberdade. A terapia não pede uma versão editada de quem você é. Ela é um espaço onde pensamentos podem nascer enquanto são falados, e onde novas associações, afetos e sentidos surgem justamente porque nem tudo estava organizado desde o início.

 
 
 

Comentários


Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Email_edited
  • Grey Facebook Icon
  • Grey LinkedIn Icon
CONTATO

Walter Miez

PSICÓLOGO CLÍNICO,
ANALISTA SOCIAL
& CONSULTOR
Telefone:

+55 (31) 99384-4130

E-mail:

waltermiez@gmail.com 

Sua mensagem foi enviada com sucesso!

bottom of page