

Reestruturação cognitiva
Nem todo pensamento traduz quem somos ou corresponde à realidade. Às vezes, nossa mente produz pensamentos intrusivos que despertam insegurança e sofrimento. Quando acreditamos neles sem questionar, podemos confundir aquilo que pensamos com aquilo que somos. A reestruturação cognitiva nos ajuda a reconhecer esses pensamentos e construir uma relação menos automática com eles. Podemos praticar esse processo em seis etapas. Vamos usar como exemplo o pensamento “não sou suficient


Política e religião se misturam
Política e religião se misturam porque ambas participam da construção dos valores, das normas e das formas como organizamos a vida em sociedade. As crenças religiosas podem influenciar nossas ideias sobre família, educação, moralidade e direitos. Ao mesmo tempo, as decisões políticas determinam quais religiões podem exercer livremente sua fé e quais grupos terão seus direitos respeitados. No Brasil, essa relação tem uma história marcada pelo racismo e intolerância. Durante sé


O desencontro com o outro
Nem todas as relações da nossa vida vão se alinhar plenamente a todos os nossos valores. Isso, muitas vezes, gera frustração e até a sensação de incoerência. Ainda assim, é inevitável nos relacionarmos com pessoas importantes, mas que, em algum ponto, friccionam princípios, crenças ou modos de viver que nos são estruturantes. Diante disso, costuma-se pensar apenas em dois caminhos: romper ou suportar. No entanto, existe uma terceira via possível e, muitas vezes, mais saudável


Solitude e conexão
É comum confundir solitude com solidão, mas elas são experiências muito diferentes. Solitude é a capacidade de apreciar a própria companhia, de passar tempo consigo mesmo e encontrar prazer em atividades que não dependem da presença de outras pessoas. Já a solidão é a sensação de falta de vínculo, de não ter a quantidade ou a qualidade de interação social que se gostaria de ter. Uma pessoa pode passar um dia inteiro sozinha, lendo, cozinhando, caminhando ou assistindo a um fi


Necessidades humanas
Assim como o corpo necessita de alimento, água e descanso para sobreviver, a mente também depende de necessidades psicológicas fundamentais para florescer. Quando essas necessidades são negligenciadas, surgem sentimentos de vazio, sofrimento, insegurança e desorientação que nenhum bem material é capaz de preencher. Uma das necessidades mais importantes é o vínculo e o pertencimento. O ser humano é essencialmente relacional. Precisamos sentir que fazemos parte de uma família,


Sankofa
Sankofa é um princípio da tradição Akan frequentemente associado à ideia de “voltar e buscar aquilo que ficou para trás”. Sua imagem é a de um pássaro que olha para trás enquanto segue seu caminho. Mais do que uma metáfora sobre o passado, Sankofa nos lembra que não é possível construir plenamente o futuro sem reconhecer as raízes que nos constituíram. O passado deve ser compreendido como algo distante, mas como uma dimensão que participa da vida presente. Conhecer os mais ve


Família e encerramento de ciclos
Olhar para um vínculo familiar não é apenas olhar para trás, mas reconhecer de onde viemos para compreender melhor aquilo que podemos transformar. Recebemos histórias, valores, ensinamentos, mas também podemos herdar violências, medos e formas de relacionamento que atravessam gerações. Respeitar quem veio antes não significa repetir tudo o que foi feito antes. Há ciclos que precisam ser encerrados. Padrões de abandono, violência, autoritarismo, submissão, intolerância ou sofr


Não existe Psicologia sem política
Não existe Psicologia neutra, apolítica ou completamente apartada da sociedade. Toda prática psicológica parte de concepções sobre o ser humano, sobre sofrimento, desenvolvimento, normalidade, saúde e sobre aquilo que uma sociedade considera desejável ou indesejável. Isso não significa transformar a Psicologia em propaganda política, mas reconhecer que o ser humano não existe no vazio. Ele é atravessado por gênero, raça, classe, sexualidade, território, religião, geração e pe


Modos de habitar o mundo
Existe uma ideia bastante difundida de que o modo de vida ocidentalizado, marcado pelo individualismo, pelo consumo e pela busca permanente de produtividade, seria um caminho quase universal para organizar a existência. Mas o mundo nunca teve uma única maneira de viver e essas não são características naturais do todo da humanidade. Diferentes cosmovisões e tradições comunitárias organizam a vida a partir de outros princípios. Apesar de suas enormes diferenças, algumas delas


É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança
Existe um provérbio africano que diz: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.” A ideia é simples e profunda: nenhuma criança cresce sozinha. Educar não é responsabilidade exclusiva de mães, pais ou responsáveis. É um compromisso comunitário. Uma criança aprende não apenas aquilo que escuta em casa, mas também aquilo que presencia na rua, na escola, na vizinhança e nas relações que estabelece. Cada adulto que cruza seu caminho participa, de algum modo, da constr











