Sankofa

Sankofa é um princípio da tradição Akan frequentemente associado à ideia de “voltar e buscar aquilo que ficou para trás”. Sua imagem é a de um pássaro que olha para trás enquanto segue seu caminho. Mais do que uma metáfora sobre o passado, Sankofa nos lembra que não é possível construir plenamente o futuro sem reconhecer as raízes que nos constituíram.
O passado deve ser compreendido como algo distante, mas como uma dimensão que participa da vida presente. Conhecer os mais velhos, preservar os saberes, respeitar a memória e compreender a história do terreiro são formas de manter vivo um conhecimento que não se limita aos livros: ele também está nos corpos, nas palavras, nos gestos, nos hábitos...
Sankofa nos ensina, entretanto, que olhar para trás não significa permanecer preso ao passado. Pelo contrário: é buscar nele aquilo que pode nos fortalecer no presente.
Ancestralidade não é uma obrigação de reproduzir todas as experiências anteriores. É uma possibilidade de aprender com elas, preservar seus ensinamentos e transformar aquilo que precisa ser transformado.
Em uma sociedade marcada pelo racismo, praticar Sankofa também pode ser um gesto de resistência. Recuperar memórias, nomes, histórias e saberes é enfrentar o esquecimento produzido pela colonialidade.
Voltar para buscar não é andar para trás.
É recuperar aquilo que foi deixado pelo caminho para que possamos seguir adiante com mais consciência de quem somos, de onde viemos e dos caminhos que ainda podemos construir.




















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