

Organizar os pensamentos para a psicoterapia
É muito comum chegar à terapia com uma lista mental do que precisa ser dito. Algumas pessoas anotam acontecimentos da semana, organizam os fatos em ordem cronológica e até ensaiam a conversa. Isso até faz sentido na intenção de não esquecer o que quer que seja dito. O problema é quando esse roteiro deixa de ser um apoio e vira uma tentativa de controlar o encontro. A psicoterapia não depende de uma narrativa perfeita. Ela também observa como a história é construída. As pausas


Estratégias contra o esquecimento
Esquecer compromissos, perder objetos ou lembrar de uma tarefa apenas quando já é tarde não significa, necessariamente, que sua memória é ruim. Muitas vezes, o problema é tentar fazer da mente um depósito de informações. Nossa memória foi feita para processar, relacionar e criar significado, não para armazenar tudo sozinha. O primeiro passo é parar de tentar guardar tudo "na força". Pensou em algo importante? Anote imediatamente. Marque o compromisso no calendário na mesma ho


Hiperestímulo
Hiperestímulo não é estar irritado, cansado, impaciente ou de mau humor. Essas sensações podem acontecer por diversos motivos. O superestímulo ocorre quando a quantidade ou a intensidade dos estímulos presentes ultrapassa, naquele momento, a capacidade da pessoa de processá-los adequadamente. O cérebro precisa organizar continuamente informações visuais, sonoras, corporais, sociais e ambientais. Quando há estímulos demais, ou quando eles são intensos demais, essa capacidade p


Nem toda perda financeira é prejuízo
Nem todo dano financeiro representa, necessariamente, uma perda. Às vezes, quando olhamos apenas para o dinheiro que saiu do nosso bolso, enxergamos o prejuízo e ignoramos aquilo que aquela experiência produziu em nós. Existem perdas financeiras que também carregam aprendizagem. Uma escolha equivocada, uma situação inesperada ou até mesmo uma experiência frustrante podem nos ensinar a tomar decisões diferentes no futuro. O dinheiro perdido não volta, mas o conhecimento adquir


Estratégia e espontaneidade
Ser estratégico pode ser uma habilidade importante: pensar antes de agir, avaliar consequências e escolher caminhos coerentes com aquilo que queremos. O problema começa quando precisamos transformar cada escolha em uma oportunidade de ganhar, lucrar ou evitar perdas. É como se, a todo momento, estivéssemos calculando o próximo passo, observando riscos e tentando garantir que nada seja desperdiçado. Aos poucos, a espontaneidade vai sendo sacrificada. Isso também se relaciona c


O que o pensamento não diz sobre mim
Nossa tela mental é criativa, cheia de simbolizações e, muitas vezes, confusa. Ela produz pensamentos, imagens, fantasias, sonhos que nem sempre correspondem ao que somos, desejamos ou defendemos conscientemente. Por isso, nem tudo aquilo que aparece na mente precisa ser interpretado como uma verdade sobre nós. Podemos pensar algo absurdo, como uma ideia racista, por exemplo, sem sermos necessariamente pessoas que conscientemente defende racismos. Podemos imaginar uma barbari


A beleza do comum
Há uma ideia bastante difundida de que o que é especial precisa ser raro, grandioso ou acontecer apenas uma vez na vida. No entanto, essa crença nos faz ignorar uma das maiores fontes de felicidade: a beleza das experiências comuns. Nem tudo o que se repete perde seu valor. O abraço de alguém que amamos, o café compartilhado, a temperatura do nosso banho, uma fruta no início da manhã, uma conversa sincera, o pôr do sol visto da janela, o sorriso de uma criança, o silêncio dep


A função social da mentira
Costumamos tratar a mentira como um comportamento exclusivamente negativo, mas a realidade das relações humanas é mais complexa. Embora a honestidade seja um valor essencial para a construção da confiança, a mentira também exerce uma função social e psicológica importante em diferentes contextos. Grande parte das mentiras não nasce do desejo de prejudicar alguém, mas da tentativa de preservar a harmonia entre as pessoas ou proteger quem mente de situações de constrangimento,


O direito ao não vínculo
Existe uma ideia bastante difundida de que só podemos nos afastar de alguém quando essa pessoa nos faz mal. Como se a convivência precisasse ser mantida até que existisse uma ofensa, uma traição ou algum comportamento claramente inadequado. Mas as relações humanas são mais complexas do que isso. Às vezes, somos admirados por pessoas que nos querem bem. Pessoas que nos respeitam, valorizam nossa presença e até gostariam de conviver mais conosco. Podem ser amigos, colegas ou fa


Salvar a família
Em muitas famílias, pessoas acabam assumindo, desde muito cedo, o papel de "salvador". É quem media conflitos, acolhe o sofrimento de todos, resolve problemas, adapta-se às necessidades alheias e quem exerce a diplomacia. À primeira vista, essa postura parece admirável. Porém, quando se torna a base da identidade, pode gerar um profundo sofrimento. Quem cresce nesse lugar frequentemente aprende a colocar as prioridades dos outros acima das próprias. Com o tempo, deixa de perg



















