Empatia e comparação

Existe uma ideia muito comum de que ser empático é sentir exatamente o que o outro sente. Mas a empatia não depende de viver a mesma emoção, mas imaginar aquela experiência. Ela depende da capacidade de reconhecer que cada pessoa construiu uma forma singular de existir no mundo.
Duas pessoas podem passar pela mesma situação e serem atravessadas de maneiras completamente diferentes. Um término pode ser devastador para alguém e, para outra pessoa, representar um alívio. Uma mudança de cidade pode despertar entusiasmo em um indivíduo e medo intenso em outro. A experiência é semelhante; a história que a encontra é diferente.
Quando escutamos alguém, é comum nos perguntarmos: “O que eu faria se fosse comigo?”. Essa pergunta pode abrir um caminho de aproximação, mas também pode nos afastar da experiência de quem está falando. Sem perceber, deixamos de escutar o outro para consultar a nossa própria história. Começamos a traduzir o sofrimento, a alegria ou o medo dele pelas nossas referências.
Ser generoso é suspender, por alguns instantes, as próprias conclusões. É resistir à vontade de dizer “isso nem é tão grave”, “eu faria diferente” ou “comigo não seria assim”. Essas frases falam mais sobre quem escuta do que sobre quem viveu a situação.
A empatia não exige compreensão total. Algumas vivências talvez nunca sejam completamente acessíveis para nós, porque pertencem à história, ao corpo e à jornada social do outro.
E talvez seja justamente esse o maior desafio: permanecer diante da experiência do outro sem a pressa de torná-la parecida com a nossa; escutar antes de interpretar; acolher antes de comparar. Compreender alguém não é encontrar a si mesmo na história dele, mas respeitar que existe uma história que nunca será exatamente a sua.




















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