Solidão, desamparo e outros vínculos
- 17 de jul.
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A solidão, em sua essência, não é apenas a ausência do outro, mas o medo do desamparo, esse pavor silencioso de não haver ninguém que acolha nossa angústia. Desde o nascimento, aprendemos a buscar fora de nós a resposta para o desassossego que sentimos dentro. O choro do bebê é atendido por alguém; o desconforto é acalmado pela presença. Assim, crescemos associando a existência do outro à garantia de sobrevivência emocional.
Mas essa ideia, quando não medida, pode nos aprisionar. Muitos vivem encontrando um peso em não caber no ideal do outro: “você vai acabar sozinho”, “ninguém vai querer você”. Essas são tentativas de domesticar condutas que escapam da norma, o egoísta, o independente, o que não se curva ao pacto coletivo, o que vive fora das convenções da família, da religião ou do amor romântico. A solidão, então, é transformada em castigo.
Contudo, a cultura tem se aberto para outras possibilidades de existir. Pessoas ateias, solteiras, sem filhos, com poucos amigos, ou com redes afetivas que não obedecem à lógica do sangue, têm mostrado que o amparo pode ser reinventado. Que é possível construir núcleos de cuidado e pertencimento fora das estruturas tradicionais.
Solidão, talvez, não seja o oposto de companhia, mas o medo de não caber em nenhum mundo possível. E é quando criamos mundos próprios, com vínculos escolhidos e afetos sinceros, que descobrimos que estar só não precisa ser desamparo. Pode ser liberdade, pode ser repouso, pode ser o encontro mais íntimo com quem, afinal, sempre esteve conosco: nós mesmos.




















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