

Como lidar com amores do passado?
Amores do passado têm uma forma curiosa de continuar nos tocando. Mesmo quando a vida seguiu outros caminhos, basta uma lembrança, uma música ou um pensamento distraído para que algo dentro de nós se mova. Quem nunca se sentiu assim? E, muitas vezes, evitamos até revisitar essas memórias com medo de despertar sentimentos que levamos tempo para acalmar. Quando isso acontece, é comum surgir a dúvida: será que ainda gosto dessa pessoa? Mas nem sempre é disso que se trata. Gostar


O que não falamos na psicoterapia?
Na psicoterapia nem sempre falamos apenas sobre aquilo que é fácil. Existem temas que parecem quase impossíveis de colocar em palavras. Às vezes é possível sentir no corpo a tensão que surge quando um assunto se aproxima: um silêncio mais longo, uma mudança de tema, um riso que desvia, um “depois eu falo disso”. É como se algo dentro de nós pedisse para que aquilo não fosse dito. E isso é compreensível. Há experiências que carregam vergonha, medo, culpa ou dor. Falar sobre el


Como manifestar cuidado na relação?
Cuidar dentro de uma relação é um gesto bonito, mas precisa ser também um movimento equilibrado. Diferenças entre duas pessoas são naturais. Cada um carrega sua história, suas necessidades e sua própria forma de sentir e oferecer cuidado. Justamente por isso, relações saudáveis não se constroem a partir da expectativa de que um ocupe sempre o lugar de quem cuida enquanto o outro permanece no lugar de quem precisa ser cuidado. Quando essa dinâmica se fixa, a relação deixa de s


O possível diante do conflito
Diante dos conflitos nas relações, especialmente quando o outro não age como julgamos ser o melhor, somos convidados a olhar para dentro e reconhecer os limites entre o que é desejo e o que é possível. Nessas horas, mais do que insistir em convencer, é preciso elaborar os motivos para apostar estar junto. O primeiro passo é compreender o que é ou não é estrutural para estar numa relação . Existem princípios que nos orientam e que, quando violados, tornam insustentável o laço.


A liberdade de ser solteiro(a)
Existe uma narrativa muito popular de que ser solteiro(a) é sinônimo de liberdade absoluta, poder fazer tudo sem negociar com ninguém, decidir sem prestar contas e viver sem amarras. Essa ideia vende a solteirice como uma vantagem natural em relação ao relacionamento, como se estar com alguém implicasse, inevitavelmente, perda de autonomia. Mas essa comparação é simplista e, muitas vezes, equivocada. A “perda de liberdade” ou o "impedimento de curtir a vida" só se torna um pr


A vida que se quer viver
Migrar da ideia de uma “vida que se almeja” para a construção de uma "vida boa de se viver" é uma profunda mudança de perspectiva. A vida almejada costuma estar sempre no horizonte: é o cargo que ainda não chegou, o corpo que ainda não foi alcançado, o relacionamento idealizado, a estabilidade perfeita. Trata-se de uma lógica de busca permanente, em que o presente vira apenas um meio para um futuro prometido. Vive-se em suspensão. Esse modo de existir pode nos manter em movim


A importância de socializar
A necessidade de socializar é uma dimensão fundamental da experiência humana. Não se trata apenas de estar entre pessoas, mas de sentir-se pertencente, reconhecido e afetivamente implicado em relações que façam sentido. O pertencimento sustenta a nossa identidade, regula nossas emoções e fortalece nossa saúde mental. Somos constituídos no encontro: é na troca que nos percebemos, nos diferenciamos e nos transformamos. Entretanto, ter interações sociais não é, necessariamente,


Insegurança financeira
A vulnerabilidade econômica não é apenas um dado material, ela é uma condição para adoecimento. A saúde mental é profundamente impactada pelo contexto socioeconômico, porque viver sob escassez contínua significa habitar um estado permanente de alerta. Pessoas com histórico de pobreza têm mais chances de desenvolver ansiedade e depressão não por fragilidade individual, mas porque foram expostas, por longos períodos, à insegurança, à imprevisibilidade e à falta de controle sobr


O dia não tem as mesmas 24 horas para todo mundo
Dizem que o dia tem 24 horas para todo mundo. No relógio, sim. Na vida real, não. As horas não rendem do mesmo jeito porque são atravessadas por desigualdades sociais que determinam como e que tempo e liberdade temos. Há quem acorde e encontre o café pronto; há quem acorde antes do sol para preparar o café de todos. As horas dedicadas às tarefas domésticas (historicamente invisibilizadas e desigualmente distribuídas, sobretudo entre mulheres e pessoas pobres) consomem tempo q


Quais cuidados ter com a ansiedade?
Depois que me reconheci como uma pessoa ansiosa, passei a compreender melhor os sinais do meu corpo e da minha mente. Hoje consigo identificar quando os pensamentos estão acelerados, quando a agitação aumenta, quando surge o aperto no peito ou quando o sono deixa de ser reparador. Esse reconhecimento não elimina o sofrimento, mas me oferece ferramentas para lidar com ele de forma mais consciente. Cuidar da ansiedade começa por conhecer o próprio quadro de adoecimento: entende



















