A dor que gera mudança
- Walter Miez

- 6 de nov. de 2025
- 1 min de leitura

A dor que vivemos muitas vezes não é apenas uma manifestação de algo que nos fere, mas um sinal de que algo dentro de nós está pronto para mudar. Ela carrega consigo a memória de processos acumulados ao longo da vida, experiências, silenciamentos, resistências e escolhas que, somadas, formam a paisagem emocional que habitamos. Quando essa dor se intensifica, muitas vezes é porque o corpo e a consciência começam a dialogar, revelando que já não cabe permanecer no mesmo lugar.
Diante do convite para reconfigurar o percurso, o sofrimento se converte em linguagem, gesto, movimento. Esse processo é fantástico porque desperta uma consciência encarnada: o corpo fala, tensiona, adoece, incomoda, mas também anuncia a abertura à mudança. O incômodo é o prenúncio de um deslocamento. Ele indica que estamos mais sensíveis, mais atentos e, de certo modo, mais vivos para o que pode vir.
Seguir outro caminho não significa apagar o que doeu, mas reconhecer que já fomos suficientemente atravessados e que agora é tempo de seguir com outro olhar, outro ritmo. A dor, quando escutada com presença e cuidado, pode se tornar mestra de transformação. Ela não vem apenas para nos paralisar, mas para nos dizer: “já é hora de mudar de pele, de respirar novos ares, de permitir que o que se acumulou até aqui se dissolva no que está por vir”.
Assim, o sofrimento se ressignifica. Deixa de ser o fim e se torna passagem, um anúncio de que há um novo modo de existir se gestando dentro de nós.















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