Tornar-se pai/mãe
- Walter Miez

- 20 de dez. de 2025
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Tornar-se pai ou mãe não é um projeto do dar, mas da dádiva, como disse Gregorio Duvivier. Não se trata de esperar algo em troca, mas de permitir que a experiência nos desloque de si e nos convoque à tarefa profunda de orientar e desenvolver outro ser humano que depende de nós para existir no mundo. Quando a parentalidade se transforma em propósito existencial, há algo de extremamente belo nisso: acompanhar o crescimento de alguém, oferecer cuidado, presença e direção. Mas também há um risco: se esquecemos de nós mesmos, da importância do autoinvestimento, acabamos transmitindo a mensagem equivocada de que amar é abdicar inteiramente de si.
Cuidar do outro também passa por cuidar de si. Ensinar limites, inspirar autocuidado, valorizar os próprios projetos e estimular a autonomia são formas maduras e necessárias de educar. Tornar-se pai ou mãe é, muitas vezes, revisitar a própria história de filho, elaborando experiências e compreendendo o que desejamos repetir e o que precisamos transformar.
A presença e o amparo são fundamentais, mas não bastam. É preciso também estimular o desafio, a coragem de experimentar, a capacidade de caminhar com as próprias pernas. Parte do amor está na correção: assinalar o que não foi adequado, orientar para escolhas mais responsáveis, sustentar a frustração necessária ao aprendizado. Não é sempre prazeroso, mas é profundamente amoroso.
Ser pai ou mãe é equilibrar dádiva e limite, cuidado e autonomia, presença e autoconstrução. É compreender que educar é um ato contínuo de amor que forma o outro e também nos transforma.















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