Como dialogar sobre privilégio?
- Walter Miez

- 16 de dez. de 2025
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Ao discutir temas como opressão, hierarquia e direitos humanos, dois elementos se tornam fundamentais para que o diálogo não apenas aconteça, mas produza reflexão e transformação: a noção de privilégio e o exercício da empatia. Sem essas bases, qualquer debate corre o risco de se tornar um embate vazio, onde argumentos são repetidos, defesas são erguidas e nenhuma escuta real ocorre.
Reconhecer privilégios não significa culpa ou vergonha, mas responsabilidade. Significa perceber que algumas experiências são facilitadas não por mérito individual, mas por estruturas sociais que favorecem certos corpos, identidades e trajetórias. É admitir que há desigualdades históricas que moldam o modo como cada pessoa transita pelo mundo e que negar isso só reforça esses mesmos mecanismos de opressão.
A empatia, por sua vez, é o movimento que permite sair de si e tentar compreender o lugar do outro. Não se trata de concordar com tudo, mas de reconhecer a legitimidade da dor alheia, da vivência alheia, da existência alheia. Sem empatia, o debate se torna infértil.
Quando um interlocutor não reconhece privilégios e tampouco exercita empatia, o diálogo perde sentido. Ele permanece aprisionado à própria “verdade”, defendendo seus argumentos como dogmas e recusando qualquer possibilidade de revisão. A conversa não avança, não transforma.
Por isso, discutir direitos humanos é também discutir disposição para escuta, abertura para desconforto e coragem de rever posições. Sem privilégio reconhecido e empatia praticada, o debate não é diálogo, é apenas ruído.















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