Alcance do desejo
- Walter Miez

- há 3 dias
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Alcançar um desejo costuma gerar mais angústia do que imaginamos. Durante boa parte da vida, somos educados para viver em estado de perseguição constante: perseguimos metas, expectativas, ideais e versões de nós mesmos que acreditamos serem a chave para a felicidade. Assim, quando finalmente nos aproximamos daquilo que almejamos, surge um estranhamento. O que fazer quando o que movia nossa busca se torna presente?
Muitas vezes, associamos nossa insatisfação ao fato de ainda não termos alcançado o objetivo. Criamos a fantasia de que a realização plena virá no momento exato em que chegarmos “lá”. No entanto, ao atingir o que desejamos, descobrimos que o desejo não se encerra, ele se desloca, se reinventa, muda de estação.
O incômodo não está apenas no não alcançar, mas também no enfrentar o vazio que aparece quando aquilo que nos motivava foi alcançado.
Alcançar um desejo não é o fim da linha, mas a abertura para novas viagens.
A chegada nos oferece a chance de escolher novos caminhos, reformular sonhos, revisar prioridades e construir outras narrativas para nós mesmos.
Viver, então, não é apenas perseguir desejos, mas aprender a habitar as chegadas.















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