Baixa energia libidinal
- Walter Miez

- 20 de nov. de 2025
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A energia libidinal é o que nos impulsiona a viver, não apenas em seu sentido sexual, mas como força constitutiva do desejo que nos move em direção ao mundo. Ser humano é buscar, incessantemente, ímpetos libidinais: encantamentos, vínculos, projetos e experiências que nos permitem fantasiar, dão propósito e combustível para seguir. Estar vivo é estar em movimento, em busca do que faz sentido, do que desperta em nós a vontade de continuar.
Com o tempo, aprendemos que essa energia não é linear. À medida que amadurecemos, reconhecemos que há ondas de tédio, momentos em que o desejo parece suspenso. Nesses intervalos, o que antes nos movia pode perder o brilho, e tudo bem. A maturidade emocional vem justamente da capacidade de compreender que o desinteresse pontual não anula nossa potência de desejar, apenas sinaliza a ciclagem natural da vida.
Desejar é também buscar lampejos de pertencimento e de propósito: queremos sentir que temos um lugar no mundo. Contudo, esse pertencimento é mutável e aceitar essa impermanência é fazer as pazes com nossa humanidade. Aprendemos, então, a acolher os períodos de baixa libidinal, entendendo que logo outro projeto, pessoa ou experiência surgirá para reacender o brilho do desejo.
Perceber que o controle não sustenta o encanto é outro passo essencial. Quando tentamos forçar o desejo, ele se esvai; quando o acolhemos em sua espontaneidade, ele renasce. Assim, ao invés de tentar conter o tédio a qualquer custo, podemos escutá-lo e deixar que o ciclo desejante se refaça. A energia libidinal, afinal, é o sopro que nos faz buscar, desistir, recomeçar e, assim, continuar vivos.















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