Cartografias de si
- Walter Miez

- 16 de nov. de 2025
- 1 min de leitura

Cartografar a si mesmo é um exercício de escuta e leitura do próprio território interno. Assim como um mapa geográfico revela rios, serras e fronteiras, as cartografias de si nos permitem enxergar os caminhos afetivos, os relevos emocionais, as rotas de fuga e as travessias que compõem quem somos. Cada marca, cada mudança de direção e cada linha que traçamos ao longo da vida fala sobre nossos encontros, nossos limites e as forças que nos movimentam.
Esses mapas não são estáticos, mudam conforme as experiências, os afetos, as dores e as escolhas que nos atravessam. A cada transformação, redesenhamos fronteiras internas, apagamos estradas que já não fazem sentido e abrimos novas trilhas rumo ao que desejamos ser. Assim como na geografia, compreender o mapa de si é entender que o terreno é vivo: sujeito a intempéries, erosões, reconstruções e florescimentos.
Olhar para as próprias cartografias é acolher o que nos constituiu, os valores, as revoluções íntimas, os adoecimentos, as curas e os deslocamentos que nos trouxeram até aqui. É reconhecer que o “eu” é uma paisagem em movimento, moldada por contextos, relações e tempos. Quando revisitamos essas cartografias com curiosidade e cuidado, colhemos pistas do que ainda pulsa, do que pede transformação e do que precisa ser mantido.
Traçar as cartografias de si é, portanto, um gesto de autoconhecimento e responsabilidade: compreender o território que habitamos dentro de nós para escolher, com mais consciência, os caminhos que desejamos seguir.















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