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Classe média e dinheiro

  • Foto do escritor: Walter Miez
    Walter Miez
  • 9 de out. de 2025
  • 1 min de leitura

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Vivendo na condição intermediária da classe média, muitas vezes somos levados a crer que temos controle sobre o dinheiro. Diferente das pessoas em situação de pobreza, que lidam cotidianamente com a instabilidade financeira e o improviso como forma de sobrevivência, e das pessoas ricas, cuja sensação de abundância naturaliza o esbanjamento e reduz o peso de perdas inesperadas, a classe média vive em uma espécie de ficção de autonomia econômica.

Alimentamos a crença de que uma boa gestão dos nossos recursos pode nos mover socialmente, o que gera uma armadilha psíquica: culpamo-nos por qualquer prejuízo ou gasto não planejado, como um roubo, um conserto urgente ou mesmo um aumento inesperado em contas básicas, como se tivéssemos falhado pessoalmente em nossas estratégias. Ao mesmo tempo, nos orgulhamos de economias pontuais, promoções aproveitadas ou escolhas “inteligentes”, como se esses pequenos acertos acenassem nosso domínio sobre a instabilidade econômica.

No entanto, essa crença é ilusória. A classe média, mesmo a mais remediada, permanece exposta à precarização: vive com um pé na ideia de progresso e outro na insegurança e recorrência da dívida.

A promessa de que “com organização tudo dá certo” desconsidera fatores estruturais que nos mantêm vulneráveis: empregos instáveis, acesso desigual a crédito, custo de vida elevado, ausência de uma rede de proteção efetiva. Vivemos, portanto, em um equilíbrio frágil, onde a promessa de ascensão social é sustentada mais por uma ficção meritocrática do que por condições reais de segurança econômica.


 
 
 

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Walter Miez

PSICÓLOGO CLÍNICO,
ANALISTA SOCIAL
& CONSULTOR
Telefone:

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E-mail:

waltermiez@gmail.com 

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