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Cárcere

  • Foto do escritor: Walter Miez
    Walter Miez
  • 12 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura
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O cárcere, muitas vezes, não tem muros nem grades visíveis. Ele se manifesta nas repetições silenciosas dos pensamentos intrusivos, na culpa que insiste em voltar, nas tentativas desesperadas de compensar o que não conseguimos controlar. É o aprisionamento interno que nos desconecta da presença e da vida. Estar preso não é apenas estar limitado por fora, mas também por dentro, quando deixamos que a mente dite os rumos sem que o corpo, o afeto e o sentido possam participar.

A liberdade, por sua vez, não é a ausência de responsabilidades nem a fuga do que pesa. Ela se revela na capacidade de conciliar: tarefa e descanso, dever e desejo, autocuidado e compromisso. Uma balança em equilíbrio não é aquela que anula o peso, mas a que reconhece que ambos os lados têm importância. Ignorar um deles é criar mais tensão, porque o que deixamos de olhar continua ali, exigindo lugar.

Construir liberdade é, então, construir autoprestígio, o reconhecimento íntimo de que fazemos o possível dentro das condições que temos e com o que compreendemos da vida. É saber que nosso valor não depende apenas do resultado, mas da presença e da intenção com que nos implicamos no mundo.

Nem tudo está ao nosso alcance resolver. Resiliência não é resignação; é a escolha de continuar mesmo diante do que escapa. Entre o cárcere e a liberdade, há um caminho de reconciliação: o de se permitir ser humano, inteiro, entre limites e possibilidades, e de seguir cuidando de si como quem sabe que merece estar em paz, mesmo quando o mundo ou a mente tentam dizer o contrário.


 
 
 

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Walter Miez

PSICÓLOGO CLÍNICO,
ANALISTA SOCIAL
& CONSULTOR
Telefone:

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E-mail:

waltermiez@gmail.com 

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