Escrever sobre o que sente
- Walter Miez

- 25 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Materializar nossas impressões é uma forma de dar corpo às ideias, emoções e percepções que nos atravessam. As sensações que experimentamos e as memórias que guardamos não são estáticas, elas se transformam com o tempo, com o humor do dia, com as experiências novas que acumulamos. É comum que a gente revisite uma lembrança ou uma ideia e a compreenda de outra maneira, à luz de um novo momento da vida. Isso é parte da riqueza da existência. Mas, justamente por essa possibilidade de transformar as percepções, escrever, registrar, listar e anotar é um gesto de cuidado e presença.
Colocar no papel o que se pensa e sente não é apenas um ato de memória: é um modo de criar um ponto de apoio mais sólido em meio às marés emocionais. Em dias em que estamos tristes, desmotivados ou confusos, é possível retornar àquelas anotações feitas em momentos de clareza e reencontrar um norte. Em dias felizes ou de autoestima elevada, podemos entender o quanto crescemos ou o que já conseguimos elaborar. Esse acervo pessoal ajuda a reduzir a influência de estados de ânimo passageiros sobre decisões importantes ou sobre a forma como enxergamos o mundo e a nós mesmos.
Algumas pessoas passam pela vida apenas vivendo, sem refletir muito sobre o que sentem. Outras pensam muito, mas mantêm tudo na mente, onde tudo é mais sujeito ao esquecimento, à desorganização, à distorção. Materializar pensamentos é dar a eles forma, permanência e possibilidade de releitura. É cuidar da própria história, das próprias escolhas e da própria saúde emocional. É uma maneira de cultivar coerência, autoconhecimento e presença.















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