Importar-se
- Walter Miez

- 10 de nov. de 2025
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Relacionar-se tem a ver com se importar, não com encarcerar. Estar em uma relação saudável é compreender que o cuidado nasce da liberdade e do reconhecimento mútuo, não do controle ou da tentativa de moldar o outro às nossas expectativas. O amor não é uma cela, é um espaço de encontro. O encontro só acontece quando há movimento, quando cada um pode existir por inteiro, com suas vontades, escolhas e caminhos próprios.
Muitas vezes confundimos o desejo de estar perto com a necessidade de possuir. No entanto, o vínculo verdadeiro não exige aprisionamento; ele convida à presença. Importar-se é estar disponível para ouvir, compreender e compartilhar a vida, sem anular o que é singular no outro. É entender que o afeto não precisa ser fiscalizado para ser verdadeiro, e que o respeito às fronteiras pessoais é uma das formas mais profundas de amar.
Relações que se baseiam na vigilância ou no medo da perda não são sustentadas pelo amor, mas pela insegurança. Quando amamos de forma madura, escolhemos confiar, e confiar é permitir que o outro caminhe livre, sabendo que o laço que os une é mais forte do que a distância. O amor cresce quando há espaço para respirar, para sonhar, para ser.
Relacionar-se é um exercício de responsabilidade afetiva. É entender que se importar é também saber quando dar espaço, quando silenciar, quando permitir que o outro viva o próprio tempo. O afeto se fortalece quando é sustentado por liberdade, empatia e presença, nunca por aprisionamento.















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