Leitura crítica do mundo
- Walter Miez

- 16 de set. de 2025
- 1 min de leitura

Dos desafios que enfrentamos, muitos estão entrelaçados com nossa história, escolhas e modos de sentir e perceber o mundo. Na psicoterapia é comum nos depararmos com a necessidade de reconhecer que carregamos responsabilidades sobre nossos atos, afetos e caminhos. Somos sujeitos ativos em nossa existência.
No entanto, nossa subjetividade é construída em diálogo constante com o meio social em que estamos inseridos: famílias, instituições, grupos sociais, culturas e discursos que orientam, silenciam, impõem e moldam comportamentos e expectativas.
Assim, parte do que chamamos de “problemas” são, na verdade, efeitos de própria cultura. São padrões herdados, naturalizados, incorporados a partir de uma lógica social mais ampla. Distinguir o que é de fato uma responsabilidade individual daquilo que é reprodução inconsciente de uma estrutura coletiva é um dos grandes passos no processo terapêutico.
Essa diferenciação é libertadora: nos mostra onde podemos agir com para transformar nossa vida e também onde precisamos cultivar senso crítico para compreender as estruturas que nos atravessam. Responsabilizar-se não é isolar-se do mundo, mas assumir o que nos cabe sem carregar o peso de tudo. Ao mesmo tempo, desenvolver consciência social não é se eximir de escolhas, mas agir com mais lucidez e propósito. O caminho da mudança exige ambos: autoconhecimento e leitura crítica do mundo.















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