Mecanismo de defesa
- Walter Miez

- 23 de set. de 2025
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O corpo humano dispõe de sofisticados mecanismos de autopreservação, ativados diante de situações percebidas como ameaçadoras. Essas respostas fisiológicas, como o aumento da frequência cardíaca, da tensão muscular e do estado de vigilância, são parte do que conhecemos como resposta de luta ou fuga, mediada pelo sistema nervoso autônomo. Inicialmente adaptativas, essas respostas tornam-se disfuncionais quando ativadas de forma recorrente e desproporcional, mesmo na ausência de perigo real.
No contexto dos transtornos de ansiedade, como o que desenvolvi ao longo de períodos prolongados de estresse e privação de repouso, o corpo passa a responder de maneira hiperreativa a estímulos neutros ou de baixa ameaça. Esse padrão pode ser compreendido como uma espécie de “memória fisiológica” condicionada, onde o organismo aprende a reagir de forma automatizada. É como se o corpo tivesse internalizado uma resposta funcional recorrente, semelhante a uma alergia adquirida, reagindo a estímulos que, anteriormente, seriam indiferentes.
Paradoxalmente, tais reações não são apenas expressões de desequilíbrio, mas também podem ser interpretadas como tentativas do corpo de se proteger. A febre, por exemplo, é um mecanismo imunológico que visa combater infecções ao elevar a temperatura corporal, mesmo que isso comprometa temporariamente certas funções bioquímicas. O vômito, igualmente, é um reflexo de expulsão de substâncias potencialmente nocivas, ainda que desconfortável e por vezes persistente mesmo após a eliminação do agente tóxico.
Compreender essas manifestações como estratégias fisiológicas de defesa, ainda que desreguladas, permite uma abordagem terapêutica mais compassiva e integrativa. O tratamento, portanto, não se limita a suprimir os sintomas, mas envolve reeducar o corpo e o sistema nervoso, promovendo novas associações, restabelecendo a segurança interna e favorecendo estados de autorregulação.















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