Neurodivergência
- Walter Miez

- 11 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Neurodivergência é, em essência, funcionar de um modo diferente do que é tipicamente esperado em nossa sociedade. Todos somos singulares, mas algumas formas de funcionamento do cérebro vêm sendo progressivamente reconhecidas pela ciência, como no caso do TEA ou do TDAH. Esses nomes não nos reduzem, mas ajudam a nomear e compreender maneiras diversas do cérebro comunicar e processar informações.
Vivemos em uma cultura que valoriza a produtividade e a “funcionalidade” como critérios de aceitação. Nesse cenário, conhecer nossas próprias características enquanto pessoas neurodivergentes se torna fundamental. É a partir desse autoconhecimento que conseguimos refletir sobre como queremos agir diante de nossos projetos e objetivos: em alguns momentos, pode ser necessário reorganizar, ajustar ou até camuflar certas expressões do nosso modo de ser para alcançar algo importante.
Isso, porém, não significa abrir mão de quem somos ou ceder integralmente às exigências do sistema. Significa, antes, cultivar uma consciência estratégica: perceber que podemos escolher quando e como nos adaptar, sem a obrigação de estarmos ajustados o tempo inteiro, em todas as circunstâncias. Há situações em que nos reorganizar pode abrir caminhos, mas também há momentos em que simplesmente ser e se afirmar como somos é o que nos fortalece.
O desafio da neurodivergência está aí: encontrar um equilíbrio entre caminhar em direção aos nossos objetivos e, ao mesmo tempo, manter preservado aquilo que nos torna únicos. Não se trata de eliminar nossas diferenças, mas de usá-las como recursos. Reconhecer que não precisamos estar em constante performance de adaptação é um ato de cuidado e liberdade. Afinal, ser neurodivergente também é uma forma legítima e potente de existir.















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