Não acredite em tudo o que passa na sua mente
- Walter Miez

- 8 de out. de 2025
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Não acredite em tudo o que passa na sua mente. Pensamentos não são verdades absolutas, nem representam, isoladamente, quem você é. Pensar o pensamento é um ato fundamental para romper com a confusão entre aquilo que se pensa e aquilo que se é. Quando olhamos criticamente para o que nos atravessa, desmontamos o poder das sombras e reconhecemos que o ser humano é, sim, capaz de pensar coisas terríveis, mas que isso não o torna, necessariamente, terrível.
Na tradição cristã, aprendemos a nos culpar, a desejar uma pureza quase inalcançável, a esconder o que sentimos de mais sombrio. O mal em nós precisa ser vencido, eliminado, negado. Mas há outras cosmologias que nos ensinam diferente. Há sistemas de pensamento em que deuses também carregam ira, vingança, destruição e isso não os torna menos divinos. Pelo contrário: reconhecem-se neles a complexidade e a inteireza de ser.
Precisamos, portanto, fazer as pazes com o mal em nós. Não para nos rendermos a isso, mas para compreendermos sua função, seu aviso, sua origem. Ao invés de negar nossas sombras, é mais sábio aprender a lidar com elas. É justamente esse exercício que impede que sejamos capturados por pensamentos que, sem serem examinados, ganham poder demais. Nossa tarefa não é silenciar o que é negativo, mas não permitir que esse se torne tudo. Pensar o pensamento é, afinal, a maneira mais honesta de não sermos engolidos por ele.















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