O que é estresse de minoria?
- Walter Miez

- 4 de dez. de 2025
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O estresse de minoria é um conceito que descreve os impactos emocionais e psicológicos sofridos por pessoas pertencentes a grupos historicamente marginalizados. Esses grupos — sejam eles raciais, étnicos, de gênero, sexuais ou religiosos — estão expostos a níveis mais altos de violência, discriminação, rejeição, vigilância e exclusão social. Essa carga constante de ameaça e validação negativa não apenas desgasta, mas também adoece.
Viver em alerta permanente, mediando comportamentos para evitar agressões ou julgamentos, cria um ciclo de tensão contínua que ultrapassa o estresse cotidiano. Trata-se de um estresse estrutural, produzido pela sociedade e por suas desigualdades. Por isso, pessoas de minorias sociais tornam-se mais vulneráveis a transtornos mentais como depressão, ansiedade, ataques de pânico e, em casos mais severos, ideação suicida. O sofrimento não é individual: é político, social e coletivo.
Falar sobre estresse de minoria é reconhecer que as condições de adoecimento não nascem do sujeito, mas das violências às quais ele é submetido. É compreender que existir em um corpo dissidente, em uma identidade estigmatizada, exige esforço dobrado para simplesmente viver.
Por isso, é urgente reconhecer nossos privilégios, compreender como ocupamos o mundo e como nossas ações (ou omissões) reforçam desigualdades. É preciso exercitar empatia, ouvir sem invalidar, acolher sem justificar e se responsabilizar pelo impacto que produzimos.
Mais que isso, é necessário engajamento: lutar por um país mais justo, com políticas de equidade, proteção social, acesso digno à saúde mental e combate firme a qualquer forma de violência ou discriminação.
E, sobretudo, é preciso escutar o pedido que ecoa das minorias todos os dias:
Tirem esse alvo das nossas costas. A gente quer estar vivo.















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