Quando o pedido importa
- Walter Miez

- 1 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Às vezes, pedimos algo ao outro, um gesto, um cuidado, e antes de sermos atendidos, somos convidados a debate. A pessoa tenta nos convencer de outra perspectiva, justificar-se, ou até nos fazer duvidar da legitimidade do que sentimos. Em situações assim, é comum sermos lidos como “paranóicos”, “exagerados” ou “intransigentes”, quando na verdade estamos apenas tentando expressar que aquilo nos importa.
Contudo, é importante reconhecer que existem situações em que estamos dispostos à negociação, em que conseguimos flexibilizar o que pedimos ou adaptar nossas expectativas. Não se trata de abrir mão do que sentimos, mas de compreender que cada relação envolve encontros entre pessoas com histórias, experiências e cálculos de risco diferentes. O que para um é simples, para outro pode ser delicado; o que para um é detalhe, para outro é limite.
Por exemplo, quando alguém diz: “Gostaria que você me avisasse quando chegar”, talvez não esteja pedindo controle, mas cuidado. Ou quando diz: “Prefiro que não comente sobre mim com outras pessoas”, pode estar protegendo algo íntimo, não impondo uma regra. São pedidos que pedem escuta, não argumento.
Nem sempre precisamos explicar demais o que sentimos; às vezes, só precisamos saber se o outro topa ou não topa. É simples: “posso ou não posso?”, “quero ou não quero?”, “consigo ou não consigo?”. Essas respostas diretas, cativadas pelo afeto, fortalecem os vínculos porque nos permitem compreender os limites e as possibilidades de cada um.
No fim, o que pedimos não é submissão, mas consideração. E quando há escuta, mesmo com diferenças, a relação se torna um espaço de respeito, não de convencimento.















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