Tempo de sessão
- Walter Miez

- 2 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Na psicoterapia, o tempo é mais do que a contagem de minutos correndo em um relógio. Costumamos diferenciar o tempo cronológico, aquele que segue a medida objetiva da ampulheta, e o tempo lógico, que se refere ao ritmo próprio de cada encontro, marcado pela intensidade, pelas descobertas e pelo lugar que o sujeito consegue ocupar naquela experiência. Essa distinção é fundamental para compreendermos que o trabalho terapêutico não deve ser medido apenas pela duração em si, mas pelo movimento interno que se produz.
O tempo de sessão é também um recorte na vida cotidiana: uma pausa nas inúmeras atividades, tarefas e responsabilidades para dedicar-se ao cuidado de si. É um gesto que valoriza a própria existência, já que interromper o fluxo do dia para estar presente em um espaço de escuta é, por si só, um ato terapêutico.
No início do processo, combinamos um tempo limite estipulado. Essa definição é importante, pois organiza a prática e cria um contorno que favorece a segurança do encontro. No entanto, esse limite não significa rigidez absoluta. Há momentos em que a sessão atinge, antes do tempo cronológico acabar, um ponto de intervenção tão significativo que estendê-la poderia diluir a força do que foi elaborado. Nesses casos, encerrar no tempo lógico é mais produtivo.
Por outro lado, também existem situações em que, ao nos depararmos com conteúdos sensíveis, é necessário flexibilizar e estender alguns minutos, para que a experiência não se encerre de maneira abrupta ou desorganizadora. Assim, a terapia equilibra a importância do enquadre temporal com a sensibilidade clínica, lembrando sempre que o valor do encontro não se mede apenas pelo relógio, mas pela qualidade do cuidado que ali se realiza.















Comentários