Ternura
- Walter Miez

- 23 de out. de 2025
- 2 min de leitura

A ternura, quando pensada no contexto terapêutico, não é sinônimo de condescendência. Ser terno consigo mesmo não significa se acomodar diante das dificuldades ou minimizar aquilo que nos fere, mas aprender a olhar para a própria experiência com humanidade e compreensão. É reconhecer que podemos rir das nossas peculiaridades, acolher nossas imperfeições e, ao mesmo tempo, sustentar o compromisso com o que realmente importa.
Em muitos momentos, nossa mente nos apresenta pensamentos e sentimentos que parecem urgentes e enormes, mas nem tudo o que surge na tela mental precisa ocupar tanto espaço ou ter a relevância que inicialmente atribuímos. A prática da ternura nos ajuda a distinguir entre aquilo que merece cuidado e aquilo que pode ser deixado ir, sem a rigidez de quem se cobra demais, mas também sem a negligência de quem ignora necessidades legítimas.
Ser amável consigo é agir com brandura, reconhecer limites e, ainda assim, direcionar energia e atenção para o que necessita transformação ou reparo. Isso implica cultivar uma escuta interna sensível, capaz de diferenciar o que é ruído passageiro do que de fato pede elaboração e mudança. Nesse movimento, a ternura se revela uma força ativa: não anestesia, mas suaviza; não encobre, mas ilumina; não ignora, mas acolhe com doçura.
Na terapia, cultivar a ternura é um exercício de autorrespeito e coragem. Trata-se de olhar para si sem dureza excessiva, aprendendo a rir de nossos tropeços, mas também de se comprometer com escolhas que favoreçam crescimento e bem-estar. É nesse equilíbrio, entre o riso leve e a seriedade justa, que se constrói uma relação mais saudável com a própria vida, onde o cuidado não se confunde com complacência e a doçura não se perde em permissividade.















Comentários