Avaliação dos pensamentos
- Walter Miez

- 24 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Na psicoterapia, não se busca “limpar a tela” da mente, como se fosse possível eliminar todos os pensamentos negativos e manter apenas os positivos. A vida psíquica é mais complexa do que um simples filtro de conteúdos bons ou ruins. O que pensamos não é uma verdade absoluta, mas narrativas que se formam a partir das experiências, contextos e atravessamentos que vivemos. São histórias que a mente cria para dar sentido ao que acontece, muitas vezes influenciadas por fatores culturais, sociais e emocionais.
O trabalho terapêutico consiste em reconhecer essas narrativas, questioná-las e aprender a lidar com elas de forma mais consciente. Não devemos “engavetar” pensamentos negativos, tratando-os como algo a ser descartado ou escondido, pois isso tende a aumentar sua força, tornando-os mais intensos e catastróficos do que realmente são. Em vez disso, precisamos trabalhar esses pensamentos, tornando-os mais justos, mais gentis conosco e, sobretudo, proporcionais à realidade.
Administrar pensamentos não significa controlá-los rigidamente, mas sim dar a eles o peso proporcional que merecem, sem deixar que dominem nossa visão de mundo. É nesse movimento que a psicoterapia abre espaço para reavaliar crenças, identificar atravessamentos culturais que influenciam nosso modo de pensar e tornar mais justa a medida da corresponsabilidade no que vivemos.
Isso significa não nos culpar por tudo, mas também não nos eximir completamente. Trata-se de encontrar um equilíbrio saudável entre o que nos acontece e o modo como participamos das situações. Cuidar de si, nesse processo, é também evitar a revitimização, isto é, não reforçar padrões de sofrimento ao reproduzir narrativas que nos aprisionam em papéis de dor ou impotência.
Na prática, a psicoterapia nos convida a habitar nossas experiências de forma mais crítica e terna, reconhecendo que pensamentos vêm e vão, mas nós podemos escolher como dialogar com eles. Assim, em vez de perseguir uma mente “puramente positiva”, aprendemos a construir uma relação mais madura, gentil e realista com nossa própria história.















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