O sequestro pela ansiedade
- Walter Miez

- 27 de nov. de 2025
- 1 min de leitura

A ansiedade pode comprometer partes importantes daquilo que nos constitui. Muitas vezes acreditamos que estamos satisfeitos com a casa em que moramos, a relação que vivemos, o trabalho que temos, a religião que seguimos ou até o hobbie que praticamos. No entanto, quando não cuidamos de nós mesmos de forma consistente, a ansiedade pode interferir e “sequestrar” o sentido desses elementos, fragilizando justamente aquilo que nos organiza identitariamente. Isso pode gerar a sensação de impotência e até de perda de algo essencial para a nossa sustentação psíquica.
É importante compreender que vivemos em uma cultura que frequentemente nos oferece projetos prontos de sucesso e felicidade, e isso pode nos afastar do que realmente desejamos. Muitas escolhas que parecem nossas, na verdade, estão atreladas à necessidade de aprovação. Nesses casos, só reconhecemos valor em algo quando ele é validado pelo outro: postamos nas redes sociais, contamos em uma conversa, buscamos elogios ou reconhecimento para confirmar que aquilo é importante.
Por outro lado, aquilo que genuinamente gostamos não depende de testemunhas externas. Tem sentido por si só e não exige constante exposição. Esse é um ponto essencial para diferenciar o que nos fortalece do que nos fragiliza diante da ansiedade.
O cuidado de si passa, então, por esse exercício de distinguir: o que faço porque realmente me satisfaz e o que faço apenas para corresponder a expectativas externas? Identificar essa diferença é um caminho de proteção e de fortalecimento da saúde mental, porque nos ajuda a manter contato com fontes de prazer e realização que não podem ser facilmente sequestradas pela ansiedade.















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