

Ansiedade e esperança
A ansiedade tem o poder de nos sequestrar por dentro, tirando de nós algo que, muitas vezes, é o que mais precisamos diante de desafios: a esperança de melhora. Quando estamos ansiosos, o corpo e a mente operam em estado de alerta constante, como se o pior estivesse sempre prestes a acontecer. Vivemos em tensão, com o coração acelerado, os pensamentos atropelados, e uma sensação de urgência que não tem direção. É como se cada dia fosse uma batalha contra uma ameaça invisível.


Baixa energia libidinal
A energia libidinal é o que nos impulsiona a viver, não apenas em seu sentido sexual, mas como força constitutiva do desejo que nos move em direção ao mundo. Ser humano é buscar, incessantemente, ímpetos libidinais: encantamentos, vínculos, projetos e experiências que nos permitem fantasiar, dão propósito e combustível para seguir. Estar vivo é estar em movimento, em busca do que faz sentido, do que desperta em nós a vontade de continuar. Com o tempo, aprendemos que essa ener


Cartografias de si
Cartografar a si mesmo é um exercício de escuta e leitura do próprio território interno. Assim como um mapa geográfico revela rios, serras e fronteiras, as cartografias de si nos permitem enxergar os caminhos afetivos, os relevos emocionais, as rotas de fuga e as travessias que compõem quem somos. Cada marca, cada mudança de direção e cada linha que traçamos ao longo da vida fala sobre nossos encontros, nossos limites e as forças que nos movimentam. Esses mapas não são estáti


O que é somatização?
O corpo é um canal expressivo, um espaço onde emoções, pensamentos e vivências podem se manifestar quando não encontram outras vias de elaboração. Muitas vezes, aquilo que não conseguimos pensar, nomear ou transformar acaba sendo traduzido em sintomas físicos. Essa tradução é o que chamamos de somatização , quando o corpo fala o que a mente ainda não conseguiu dizer. Sintomas como falta de energia, alterações no desejo sexual, apetite desregulado, palpitações , entre outros,


Camuflagem
Diante de relações desafiadoras, costumamos adotar dois caminhos: ou nos retiramos da relação, ou a vivemos de forma superficial. Isso porque uma vez que o outro restringe nosso modo de ser autêntico, percebemos a restrição como uma ofensa. Nos afastarmos ou superficializarmos a relação também é uma resposta legítima porque acreditamos que o outro não cativou, nem mereceu, adentrar nossas camadas mais íntimas. Ambos os movimentos, ainda que distintos, compartilham uma mesma l


Autenticidade
Nossa autenticidade não é algo dado, fixo ou isolado, mas construída e atravessada por diferentes dimensões que moldam quem somos e influenciam nossas escolhas. Podemos compreender essa constituição a partir de quatro grandes dimensões: genética, espécie, cultura e história pessoal. A dimensão genética nos oferece uma base biológica, características físicas, disposições emocionais e cognitivas que herdamos. Como parte da espécie humana, compartilhamos estruturas comuns, a lin


Cárcere
O cárcere, muitas vezes, não tem muros nem grades visíveis. Ele se manifesta nas repetições silenciosas dos pensamentos intrusivos, na culpa que insiste em voltar, nas tentativas desesperadas de compensar o que não conseguimos controlar. É o aprisionamento interno que nos desconecta da presença e da vida. Estar preso não é apenas estar limitado por fora, mas também por dentro, quando deixamos que a mente dite os rumos sem que o corpo, o afeto e o sentido possam participar. A


Qual a diferença entre estilo e abordagem?
No processo psicoterapêutico existe o que chamamos de estilo profissional e abordagem teórica. De maneira simplificada, a abordagem é o campo teórico e técnico que entende os fenômenos acompanhados na clínica a partir de pressupostos próprios com o qual a(o) profissional tem mais afinidade dentro da Psicologia. Já o estilo é o modo como a(o) profissional se apropria dessas teorias e técnicas e as aplica no trabalho realizado. Eu atuo numa perspectiva psicossociológica e human


Importar-se
Relacionar-se tem a ver com se importar, não com encarcerar. Estar em uma relação saudável é compreender que o cuidado nasce da liberdade e do reconhecimento mútuo, não do controle ou da tentativa de moldar o outro às nossas expectativas. O amor não é uma cela, é um espaço de encontro. O encontro só acontece quando há movimento, quando cada um pode existir por inteiro, com suas vontades, escolhas e caminhos próprios. Muitas vezes confundimos o desejo de estar perto com a nece


A dor que gera mudança
A dor que vivemos muitas vezes não é apenas uma manifestação de algo que nos fere, mas um sinal de que algo dentro de nós está pronto para mudar. Ela carrega consigo a memória de processos acumulados ao longo da vida, experiências, silenciamentos, resistências e escolhas que, somadas, formam a paisagem emocional que habitamos. Quando essa dor se intensifica, muitas vezes é porque o corpo e a consciência começam a dialogar, revelando que já não cabe permanecer no mesmo lugar.

















